quarta-feira, 14 de março de 2012

POESIA

Hoje passando na  rua da  Passagem vi uma  placa  numa  oficina  fuleiríssima: Amortecedores silenciosos. Reli  assim:

                                       A  MORTE   TECE   DORES    
                                                                                             SILENCIOSA         

terça-feira, 20 de setembro de 2011

As Férias do Tempo

Minha nova  peça  de  teatro surgiu  deste  poema que  fiz  há dois anos:


houvesse o Tempo parado

em alguma esquina

tomado um táxi

se servido de café com pão

na soverteria

entrado num bar pé sujo

e entornado um copo de guaraná(ou cachaça)

se até a manhã seguinte

vagasse sem preocupação

o mundo desordenado

por sua fatal ausência

um caos novamente

um "big bang" reorganizasse

decidido prestimoso ao trabalho volta(ndo)

o retorno é doloroso

esteve pensando na vida comum

das gentes simples

e se deleitou naqueles momentos

mas a saudade que leva em si

é compensatória

afinal ser o Tempo

é deveras importante

responsabilidade à beça

e ordenar o planeta

é seu divertimento constante

jamais retornará ao prosaico viver

deixando aos outros por si este prazer

e o Tempo

afinal

é o Tempo

o que mais pode querer ser?

Menos -- sem poder!


segunda-feira, 28 de março de 2011

Tuiuiús



Detalhe de uma aquarela da  série Bichos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



Detalhes de encadernação, 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Poema antigo ( um anti-conto de fadas)

num castelo morava
uma princesa
o príncipe
ainda era sapo
a bruxa estava
de férias
o rei e a rainha
não existiam
os súditos todos
migraram
as aves animais e plantas
sumiram
o sol brilhava
quando queria
a lua às vezes
em pleno dia
e assim os anos se passaram
e assim a princesa envelheceu
quando por fim
teve a ideia de beijar o sapo
este jovem e
devidamente transformado
tomou um susto
e morreu
a princesa devidamente
desdentada
sentou na beira da estrada
e chorou
enxugava as lágrimas
com as devidas
roupas esfarrapadas
esperando algum dia
um outro alguém
pra uma estoria
melhor inventar
quem dera!

domingo, 24 de outubro de 2010


Série desenhos 09/10
Série desenhos

sábado, 4 de setembro de 2010

gravura antiga

Uma das minhas gravuras preferidas!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Poemetos na Palma da Mão

flores são poesias
imperfeitas porque mudas
flores como o dia
iluminam o espaço
intransponível é
a distância entre ambas
pois flor é indizível
e poesia
o contrário
onde uns voam
outros caem

o e s p a ç o

incessante
incansável de tanto ar
abriga além
das nuvens arco-íris e sombras
raios também
fragmentadores
deste céu uno
até então

é quando despencam
os não sonhadores
e seus URROS
ao sentirem o perigo
ecoam em cada trovão
e os que sonham
deságuam sobre a Terra
suas utopias
e fertilizam o solo
o qual viam do alto
em seus sobrevoos
repleto de cores
deserto de solidão

segunda-feira, 12 de abril de 2010

terracota,2008
terracota,2008

escultura em terracota, 2010
Escultura em terracota,2009

sábado, 13 de março de 2010


Aquarela, Tempestade de Cores

Aquarela, Bichos 2009
Aquarela, Bichos 2009

quinta-feira, 6 de agosto de 2009


Encadernação... porque os livros merecem proteção!
terracota, 2008



escultura em terracota,2008
Equilíbrio, nankin s/papel

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Segue um conto, digam o que acharem, tá?


VASTIDÃO



Há uma vastidão no mundo incontestável, tanto para dentro quanto para fora — se bem que o exterior esteja milimétricamente mapeado por satélites, ainda é imprescindível a presença física nos espaços a serem conquistados — exato, mesmo tendo oficialmente acabado, o colonialismo e a escravidão prosseguem a todo vapor com dissimulações variadas, quase todas sob uma pele de amizade, mas as garras de lobo são as mesmas que estraçalham a carne, esfolam, dessangram, devoram o que querem e o que conseguem devorar, nunca chegam à saciedade e as presas que habitam estes espaços longínquos — em relação à casa da alcatéia — agradecem emocionadas à amizade, à solidariedade, à caridade e vagueiam moribundos esperando a hora de seus respectivos deuses chamarem, e para onde irão? Pois não é que há um ou outro destes despojos que consegue driblar o que parecia inexorável? Não segue o destino dos outros e resolve sobreviver, ficando até bem alimentado na companhia de quem também conseguiu escapulir — ou sozinho consigo mesmo, a melhor das companhias não havendo outra que não esteja mais exposta ao perigo. Embora esta seja uma preia rara, não é tão difícil conseguir este feito: bastou para isso não olhar, como fazem as gentes desalentadas, a esmo, para longe, nem pôr do sol, nem céus com ou sem nuvens, nem horizontes desérticos ou repletos de florestas, mares, rios, pessoas, construções, formigas, o que fosse, nada — é simples assim: fecha-se os olhos , porém não é para dormir, devanear, cochilar, sonhar, desligando-se da consciência, não! É fechar os olhos para olhar a imensidão no interior de si mesmo, tantas possibilidades, todo um mistério sendo mapeado sem ninguém que saiba ler totalmente e navegar neste semi-sempre-desconhecido espaço, tudo útil ou não, capacidade imensurável ainda quieta até aquele momento. Este é o pulo do gato e foi quando esta ex-presa teve esta consciência e pôde se ver e vendo a si por dentro, não mais em espelhos, ver o espaço interior onde a liberdade é inerente, sem precisar ser alcançada.
Todavia sonhou e no sonho havia umas formas estranhas e deliciosas que moviam-se como dançarinos modernos contorcionando-se e confundindo-se com os artistas circenses , eram todos coloridos e o sabor devia ser muito bom, mas não, não era um sonho de canibalismo, era apenas de caçador e caça e, sim, os contorcionistas eram humanos e ao sonhar, por não ser mais presa, sonhou-se como um não-humano de nariz grande, baba abundante de tanto apetite, língua fora da bocarra, esperando a hora certa para encher a pança e quase concretizava o banquete onírico caso não fosse hora do galo cantar, cedo de madrugada, num momento tão bom! Suas orelhas pontudas do sonho mexeram-se irritadas e, na cama, as orelhas oblongas perceberam o som e duvidaram do momento. Estaria o tempo mais rápido no mundo por causa dessa calendário ocidental ter encerrado um ciclo e começado outro? Por que não contar o tempo desde a pré-história, dos tempos dos nossos antepassados mal-cheirosos, Lucy, Luzia ou outro? Ou desde o primeiro alfabeto ou livro? Tanto faz, convenções são indiferentes, não melhoram nem pioram nada. Afinal, o que é a melhora, senão o que conseguiu a ex-preia recém despertado por um galo colorido e garboso de andar altivo e destemido — perde a fleuma apenas na hora de ir para panela.
O não seguir mapas mas ver dentro, o seguir mapas e ver o exterior, sem o tormento de ter que ser assim ou assado ou saber isto ou nada, nem que tenha que seguir trilhas já conhecidas ou nem tenha nenhuma picada aberta, soerguer o próprio peso e o peso talvez seja estranho para alguém que acaba de chegar desse vácuo infinito interno e após tamanha aventura voltou e vendo a si e ao relacionar-se com a realidade circundante, sentiu um cansaço doce e estrepitoso, desses de quando há uma preguiça maior que o esforço e portanto não se consuma a exaustão; respirou o cansaço de ter ousado desbravar-se e o inebriante eflúvio de si arrebataria até um peixe-boi gigante, quanto mais um simples animalzinho humano que exatamente por isso ao cair da tarde já se encolheu em seu leito sob comentários desconcertantes de sinceras preocupações sem importância e sem implicações objetivas: estaria doente? seria o cansaço? talvez a tristeza da saudade de... de quem mesmo? Não há ninguém que tenha ido embora a não ser a antiga caça dando lugar ao atual ser humano e o sono que nos aparta do mundo por tão pouco tempo parecendo ser por toda a vida, este sono pesado de anos, chegou sendo dissipado somente ao cantar do galo tão eficiente na sua função gratuita de despertador, e com o coração batendo, batendo forte porque temia e os olhos arregalados também, denunciando que não apenas temia como igualmente sentira enorme prazer com o sonho de ser um predador orelhudo, focinhudo, degustando os contorcionistas dançarinos coloridos e deliciosos, sentindo esse gosto concluiu que estava numa encruzilhada asfixiante onde teria de optar — sendo que nunca optara por nada importante na vida — oh!, virar predador ou não? Sentiu um aperto no peito, quase infarto agudo ou mielograma, a dor trespassando a alma delirante de tanta imagem persecutória para distrair a responsabilidade da imprescindível decisão de inúmeras possibilidades, era um leque com tantas hastes impulsionando o mesmo ar, ou um prisma com tantas cores vindas da mesma luz, era ao mesmo tempo a luz e o ar, a mesma ex-presa viajante e ser humano recém-desperto por um galo pontual, agora entre a cruz e a espada, enterrou os pés no chão frio e, fora da casa cálida, no terreiro sob a madrugada esvaecida dando lugar à manhã morna e elucidativa, disse em altas e poucas palavras: Nem o bicho do sonho, nem o que fui até ontem, menos ainda o que querem que eu seja, ou o que pareça ser melhor pra mim: serei o que vi na jornada bem pra dentro de mim... Isso de ser gente é engraçado, mas é o que está nos meus planos: ser. Gente.
Então a amplidão do mundo se apequenou de tamanho, não de importância nem de variedade, pois seus passos eram maiores e mais firmes, porque a vastidão de si já cabia em seu frágil corpo e, tendo-a visto, agora sabia ser inerente à liberdade, e o Sol em seus olhos cegos, refletindo este brilho, surgiu naquela manhã.
 
 
 
 

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma poesia

Esta minha poesia pra começar o novo Blog:



Não vou falar-te de sonhos
Não vou falar-te de pesadelos
Falarei apenas da vida comum cotidiana
que surge em ensejos
anseios vagos a trazem
Desejos não realizados
Duma menina que a vê
— sem poder ir voando até a lua —
com olhos frustrados
Alegrias contidas pelas desgraças constantes
Tristezas escondidas das belezas esvoaçantes
— fugitivas do medo assolador —
Mórbidos sons grunhidos a acompanham
E é dito “música” E é dito “viver”
a este tropeço destroçante
E é a Dita Cuja a qual não se perde de vista
que nos prende — a Esperança! —
E por ela digo-te:
Vale a pena viver a vida errante
Porque em laivos despertam a beleza e a certeza
de que é tanto mais o que merecemos
todos nós e ainda não temos
( às vezes dormimos demais)
mas por ver as ruas casas tabernas cemitérios passantes gatos vira-latas e cães retirantes ilustres bêbados bamboleantes
nesgas de luz nas sombras das ruas desertas
e até poluições indigestas como carros fumegantes e gafanhotos comendo a colheita de grãos
e levas de viajantes fugindo com os parcos recursos
tantos consomem com olhos insinuantes
os riscos são todos medidos
e nem um minuto sequer serve para se ver a brilhante Estrela que seria a vida
o dia todo — Todinho! — desde o amanhecer
Se…
…eu te falasse de sonhos