segunda-feira, 6 de maio de 2013

Do livro Silêncio Inaudito


                 repousam

               em minha mente

        imagens vindas de longe

Oriente onde nascem e morrem aqui

                                                                       na palma da mão Ocidente

            estranho percurso

          fuga insana pelos portões

                    de brilho e luz embebidos:

meus olhos são

                                 ainda a saída

e afinal

                  despertas então no papel

pousam

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


PALIMPSESTO

Palimpsesto

o mesmo texto
ou outro texto
sobre o anterior

a raspagem para dar lugar
ao outro
o novo
enquanto o velho vira pó
o mesmo texto
e o outro texto
ambos no mesmo espaço
em tempos distintos
o mesmo texto
sobre o mesmo espaço
margens e e s p a ç o s
entre as letras
variados
ambos sobre a
mesma superfície
tão cara
apreciada e valorizada
dois apenas não
tantos mais até aguentar
tanto aguenta o espaço?
sabe-se lá!
e os outros quanto serão
valorizados ou desvalorizados
ninguém sabe
sabe-se do pó: este voa
pó de papiro ou pergaminho
será o que entra pelas janelas ainda hoje
ou está soterrado?
pergaminho e papiro - tão valiosos e raros - preservados
mas caíram em desuso
o texto?
ainda persiste
igual às margens e espaços geográficos
persistência ímpar
por quê? pra quê?
por cargas d'água
que seja   per se
e sendo apenas
valer
tanto quanto
a raspagem e o escrever
o dar valor ou esquecer
o ser e não ser
e tantos sentidos feitos somente caso se escreva
e se fale
e se pense
e se invente
por Ser uma invenção contínua igual a vida
de quem vive
tal o palimpsesto
raspado e reescrito
com resquícios da anterior escrita
a nova sobre a antiga
nem que seja pra dizer
a mesma coisa
mas que se reflita
se for a mesma
reescrita
já será outra e pronto
servindo assim o espaço pra abrir
ao ser raspado
um novo espaço

e o pó levado aos quatro ventos
e talvez aspirado por alérgicos - coitados - espirrarão
e gotículas de textos em pó voarão
ou a tosse incômoda dos bronquíticos
em perdigotos incontáveis
espalhando os textos
invenção distante
longínqua deste mundo tão
ou quase
inteiramente
descartável
o Palimpsesto foi o primeiro artigo descartável!
e caro
e admirado
e a escrita percorre sobre
tão sedutora
e espantosamente duradoura superfície
até hoje nos chega
somente demudada daquela bela e valorizada
arte e ciência esotérica
domínio de tão poucos
banalizada agora sem quase necessidade
de borrachas ou teclas delete
ainda que se escreva e que se apague
ainda que se invente e se raspe
aonde está o valor? a que se dá?
dá-se o valor ao palimpsesto e às escritas e às vidas e invenções e atos e gestos e sentimentos e delicadas rendas e artes e pescas e caças e
semeaduras escorrem por terras longínquas
igualmente ninguém deseja morrer embora se morra queira ou não queira
valorizar e ser
a cafeteira elétrica ou vídeo game moderno tendo mais cartaz que o Texto
que esta caligrafia horrenda minha ou de vocês - de mim sei
eu sempre preguiçosa de preencher cadernos de caligrafia -
primário distante
memórias
Tudo ao soar do relógio de corda ou bateria ou ao por e nascer do sol
Tudo vai sem volta
o pó voando
e o texto sendo feito
o palimpsesto em desuso
e modernos computadores sendo despejados no mercado aos sôfregos consumidores
sonhos de consumo
e textos escritos e reescritos sem deixar resquícios
as sombras
os mal raspados
as marcas de traços
indicações de frases ou palavras ou letras
a invenção da palavra
texto
livro
a invenção de que se é no mundo e o mundo é um Lar - doce Lar -
ou ninho ou Planeta vagando num Universo infinito
a constatação dolorosa do minguado tamanho
a enorme fragilidade
das limitações - sobretudo do Tempo - nosso
a sabedoria - sapiência -
saber que se sabe tanto e se morre mesmo sabendo
ou sem saber - é igual -

ser palimpsesto na vida
ser raspado e dar lugar
ao novo texto
virar poeira o antigo corpo
ser reescrito a cada ciclo
ainda os restículos
há que se ter coragem de se raspar
e de se reescrever
e de se ler o novo
e admirar o espaço geográfico
vasto e sem limites - exceto o espaço físico - corpo minguado
porém ser palimpsesto na alma - ela exista ou não -
onde não há fronteira nem limitação alguma
reescrevendo e reescrevendo e reescrevendo
tudo
até as próprias ilusões
e ao se voltar à vida comum e banal
ver como sendo Palimpsesto se é humana total
e quanto o valor do espaço da tinta da raspagem do texto da caneta do lápis ou o que seja
e do leitor - sobretudo -
é real
constatar: palimpsesto que seja que sejamos!

escrevermos uma história nova ao nosso velho mundo
e sermos mais doces com a palavra dita tanto quanto com a escrita
e deixarmos a vida sem o peso de tê-la vivido mal vivida
e de que o mundo esteja melhor daqui pra lá
palimpsestos reescritos tantas vezes até virarem pó
e à última raspagem seja do último texto
sem salvar em discos rígidos
nem em cópias leves
Salvos por ventos longínquos que os levarão
e neste texto derradeiro estando a verdadeira
definitiva intenção do recomeço
embora na vida não dê tempo pra tantos
estando ele ainda vivo transmudado em pozinho
vivo na existência
na insistência
na resistência
na imanência
na consciência de saber da finitude da vida e de tudo que não seja inteiro verdadeiro
absolutos prazeres permeiam a jornada
entre os quais raspar o texto anterior
escrever outro e ler aproveitando o suporte e dando cores lindas à palavra escrita
e sentido ao pensamento tido
Palimpsesto é isto:
as ideias fixas e a memória esquecida no mesmo papiro pergaminho papel bytes
enfim
um corpo escrito
Leitores existirão?



























sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

POEMA


              esqueci

como se soletra espelho

e o espaço entre a imagem e si

antevi o pesadelo pesado do tempo passando

                                                                           lento

a solidão é o tormento deste vasto espaço

o olho vendo e o liso da imagem dentro?

toda inversão

oposta ou contrária

exceto a simetria do gesto

                                         caso haja

ou a exatidão da memória

ter visto ou ver o visto ou rever ou perceber nunca ver

desconhecer a sabedoria e há a ignorância

toda vida valeria tanto

caso não houvesse a idolatria

por deuses, santos, profetas, atletas, astros e

tanta toda tecnologia

aparatos high-tec

via ondas e infovias

                               exceto o estremecer da pele numa emoção

qualquer emoção vale mais em energia

e pesa mais em qualidade

somente a quem tem

                                    e usa

se desperdiçá-la ou trancafiá-la no espelho

como ver? sentir?

Pobre Alice desesperada!

o quanto pode percorrer o mundo interior em disparada

e não libertá-lo

caso não tenha

sem ter a chave para fazê-lo

e esta se chama:   liberdade




domingo, 30 de dezembro de 2012

Poema do livro Personagem


                                              PRECIPÍCIO




                                               precipício passado

                                                 a ferro quente

                                              mas amarrotado

                                          com rugas propositais

                                           pra parecerem belas

                                    como lendas quando são feias

                                               e se conservam

                                           ao contrário de flores

                                          que caem no inverno

                                               e morrem leves
































sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Poesia


Ai são Mário e  são Oswald

And
          r   ivers

             a     lways

                 des
                        pencam nos mares

já navegados à beça!

Poluídos até...

Nada há de novo sobre a Terra

Exceto
            cada Segundo

Gravura em metal

      
                   (Ponta  seca) Homenagem a  Goya e  Grassmann: A realidade do  sonho produz gênios!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Xilogravura


Xilogravura   em  homenagem ao mestre  Goeldi no  projeto Mapas  de  Influências.
https://mapasdeinfluencias.wordpress.com/cartoes-postais-participantes/

Fotos no centro da cidade.



Foto do  meu  reflexo na  vidraça e a luz  em  círculo, a  camera  na  mão  esquerda.

Palhaceata 2011



Uma  maravilha  de  Palhaceata nas  ruas  da  cidade, adorei  fotografar  tantos palhaços  lindos!

Foto do centro da cidade


No Centro do  Rio, fotografei  o  contraste entre  o  moderno  e  o   antigo, tão  bom  se  tudo  fosse  desse  modo, conviver lado  a lado...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Poema

Uma  árvore cuja  copa  são  nuvens
 e  seus  frutos são pássaros
que  voarão quando estiverem  maduros
não,não foi sonho: eu vi numa  foto
 de  João Bosco  de Almeida
e fica nesse  Planeta em nenhum
                                                      outro
 que  se saiba
                          há pássaros
 nuvem árvore ou o que  valha
  E Sonhos também
 desses que se tem dormindo
 ou que  se  vê acordado
                                                 são também corriqueiros
acontecimentos prosaicos pedindo
 às  vezes implorando até
 para serem vistos lembrados
 guardados na  memória retina ou fotografia
 conquanto  sejam admirados
                                                   não como fatos ilusórios
 mas como a  realidade concreta mais bonita
                                                                                  da  vida
 que exatamente por isso
 vale tanto
                                           e  é  linda

quarta-feira, 14 de março de 2012

POESIA

Hoje passando na  rua da  Passagem vi uma  placa  numa  oficina  fuleiríssima: Amortecedores silenciosos. Reli  assim:

                                       A  MORTE   TECE   DORES    
                                                                                             SILENCIOSA         

terça-feira, 20 de setembro de 2011

As Férias do Tempo

Minha nova  peça  de  teatro surgiu  deste  poema que  fiz  há dois anos:


houvesse o Tempo parado

em alguma esquina

tomado um táxi

se servido de café com pão

na soverteria

entrado num bar pé sujo

e entornado um copo de guaraná(ou cachaça)

se até a manhã seguinte

vagasse sem preocupação

o mundo desordenado

por sua fatal ausência

um caos novamente

um "big bang" reorganizasse

decidido prestimoso ao trabalho volta(ndo)

o retorno é doloroso

esteve pensando na vida comum

das gentes simples

e se deleitou naqueles momentos

mas a saudade que leva em si

é compensatória

afinal ser o Tempo

é deveras importante

responsabilidade à beça

e ordenar o planeta

é seu divertimento constante

jamais retornará ao prosaico viver

deixando aos outros por si este prazer

e o Tempo

afinal

é o Tempo

o que mais pode querer ser?

Menos -- sem poder!


segunda-feira, 28 de março de 2011

Tuiuiús



Detalhe de uma aquarela da  série Bichos.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



Detalhes de encadernação, 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Poema antigo ( um anti-conto de fadas)

num castelo morava
uma princesa
o príncipe
ainda era sapo
a bruxa estava
de férias
o rei e a rainha
não existiam
os súditos todos
migraram
as aves animais e plantas
sumiram
o sol brilhava
quando queria
a lua às vezes
em pleno dia
e assim os anos se passaram
e assim a princesa envelheceu
quando por fim
teve a ideia de beijar o sapo
este jovem e
devidamente transformado
tomou um susto
e morreu
a princesa devidamente
desdentada
sentou na beira da estrada
e chorou
enxugava as lágrimas
com as devidas
roupas esfarrapadas
esperando algum dia
um outro alguém
pra uma estoria
melhor inventar
quem dera!

domingo, 24 de outubro de 2010


Série desenhos 09/10
Série desenhos

sábado, 4 de setembro de 2010

gravura antiga

Uma das minhas gravuras preferidas!