Caderno de 8cm X 5cm para escrever haicais, aforismos, enfim, micro-ditos, como estes:
Horizontes abertos aos montes
A m p l i d ã o d e v i d a
@ @ @
Qual o significado
Nunca antes encontrado
De algo ignorado?
sábado, 29 de dezembro de 2018
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
Três filmes tristes e belíssimos!
Vi no Festival do Rio 2018 três filmes daqueles para se ver com lenços ensopados de lágrimas. E a beleza deles é daquela que impregna na memória. É bom saber que pessoas de países tão diferentes se preocupam com o que importa de fato e esmiuçam.
Cafarnaum, libanês, de Nadine Labaki conta a saga de Zain, um menino de rua que processa os pais. É o retrato 3 X 4 sobre o que há em tantos países. Há também uma imigrante e seu bebê fofo, mãe exemplar ao contrário da mãe do pequeno heroi. Atores maravilhosos e os lados do problema sem maniqueísmo. As entranhas da miséria nunca são agradáveis de se ver, porém, com uma edição habilidosa e uma conclusão simples e precisa, a diretora conseguiu fazer uma obra-prima, premiada com o grande prêmio do Júri no Festival Cannes.
Guerra Fria, polonês, de Pawel Pawlikowski, mesmo diretor do premiado Ida. Como o nome diz trata daquele tempo de sofrimento, angústia, um sufocamento que a beleza das músicas folclóricas do começo escorraça. Nenhuma tortura é mostrada, a odiosa ausência de liberdade não é dita em discursos panfletários. Tudo está lá sob uma história de amor impossível de ter final feliz. É tão pouco tempo de filme onde coube tão bem o horror daquela época. As músicas são lindas.
Assunto de Família, japonês, de Hirokazu Koreeda, ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Uma história de uma criança que sofre maus tratos e é acolhida em outra família, sem que os pais biológicos saibam, ou seja, legalmente, é sequestrada.... Mas a dimensão humana comporta Leis estáticas? As múltiplas qualidades que uma pessoa pode ter e que passam despercebidas da maioria das pessoas e das instituições são escancaradas com leveza. Fica evidente que os julgamentos precipitados sem saber o passado de alguém são sempre injustos. As vítimas mais vulneráveis e nunca ouvidas são as crianças, óbvio. O erro de considerar os pais biológicos aptos a criar os filhos sem acompanhamento na credulidade de um amor inato parece ser universal. E as crianças infelizes, maltratadas, provavelmente serão adultos infelizes que maltratarão ou serão maltratados, em um círculo vicioso. Como quebrá-lo?
O incrível nestes três filmes, além da beleza das cenas, dos atores excelentes, das histórias cativantes, é a percepção que temos aqui fora, imersos na escuridão da sala de cinema, de que tudo poderia ser diferente se... se... se...
Mas não é diferente; por isso choramos.
Cafarnaum, libanês, de Nadine Labaki conta a saga de Zain, um menino de rua que processa os pais. É o retrato 3 X 4 sobre o que há em tantos países. Há também uma imigrante e seu bebê fofo, mãe exemplar ao contrário da mãe do pequeno heroi. Atores maravilhosos e os lados do problema sem maniqueísmo. As entranhas da miséria nunca são agradáveis de se ver, porém, com uma edição habilidosa e uma conclusão simples e precisa, a diretora conseguiu fazer uma obra-prima, premiada com o grande prêmio do Júri no Festival Cannes.
Guerra Fria, polonês, de Pawel Pawlikowski, mesmo diretor do premiado Ida. Como o nome diz trata daquele tempo de sofrimento, angústia, um sufocamento que a beleza das músicas folclóricas do começo escorraça. Nenhuma tortura é mostrada, a odiosa ausência de liberdade não é dita em discursos panfletários. Tudo está lá sob uma história de amor impossível de ter final feliz. É tão pouco tempo de filme onde coube tão bem o horror daquela época. As músicas são lindas.
Assunto de Família, japonês, de Hirokazu Koreeda, ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Uma história de uma criança que sofre maus tratos e é acolhida em outra família, sem que os pais biológicos saibam, ou seja, legalmente, é sequestrada.... Mas a dimensão humana comporta Leis estáticas? As múltiplas qualidades que uma pessoa pode ter e que passam despercebidas da maioria das pessoas e das instituições são escancaradas com leveza. Fica evidente que os julgamentos precipitados sem saber o passado de alguém são sempre injustos. As vítimas mais vulneráveis e nunca ouvidas são as crianças, óbvio. O erro de considerar os pais biológicos aptos a criar os filhos sem acompanhamento na credulidade de um amor inato parece ser universal. E as crianças infelizes, maltratadas, provavelmente serão adultos infelizes que maltratarão ou serão maltratados, em um círculo vicioso. Como quebrá-lo?
O incrível nestes três filmes, além da beleza das cenas, dos atores excelentes, das histórias cativantes, é a percepção que temos aqui fora, imersos na escuridão da sala de cinema, de que tudo poderia ser diferente se... se... se...
Mas não é diferente; por isso choramos.
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
O Grande Circo Místico, o filme
Que poema inspirador
este do Jorge de Lima, deu pano pra manga: um espetáculo com
músicas lindas de Chico Buarque e Edu Lobo e agora o filme de Carlos
Diegues.
O Circo de picadeiro
circular, círculo, redondo como nossa Terra a rodopiar por aí na
Via Láctea. Todos os povos sempre ao redor de fogueira, brincando,
conversando, dançando, de tempos imemoriais até hoje, no século
XXI que foi o das ficções científicas da literatura e cinema, às
vezes distópicas.
Sob a lona toda a
fauna e todas as emoções, há curiosidades: uns bichos são
artistas e uns humanos assistem e aplaudem igual crianças, o leão Nero não devora o
homem. Aqui proibiram animais em Circos com a desculpa de
maus-tratos, como se não houvessem maus tratos aos bichinhos de
estimação em lares-doces-lares… Filmaram em Portugal.
Quem não leu o
poema não capta certas ironias e detalhes, mas mesmo assim nada é
incompreensível. A personagem Celavi ( soa como “é a vida” em
francês), criada para o filme, é genial! Não envelhece em um
século, afinal , a Vida não envelhece.
As datas escolhidas
e as situações mostram a história do Brasil. No começo do séc.
XX, antes das Guerras terríveis, o mundo do progresso onde o
cinema anunciava mudanças enormes – para o bem e para o mal –
era cheio de esperança. Na ditadura as drogas pesadas chacoalhando
as estruturas de qualquer pessoa sensível. E hoje em dia a
decadência e pobreza, em tempos de realidade virtual, onde a
realidade verdadeira e concreta se esfacela junto com a imaginação
individual.
Contudo a crença
fiel no que é importante – Cultura, alegria, imaginação, magia,
resiliência, etc. – leva ao final poético( não leia se não viu
o filme): sob lona rota e esfarrapada as gêmeas puras fazem um espetáculo
mágico, sob os olhares embevecidos dos homens poderosos, da mãe
mística, dos empregados, de Celavi, em imensa alegria e leveza
contestam a Lei da gravidade… em tempos em que malucos afirmam a
Terra ser plana, tudo é possível, hahahaha! E Celavi diz: “Hoje
é de graça!”, a ambiguidade deixa ao gosto do Respeitável
Público: escolha o sentido que lhe aprouver a esta “graça”.
Não custa nada: imaginar é sempre grátis!
Ainda há de brinde
durantes os créditos no letreiro final a bela canção Na Carreira
que sintetiza tão bem a alma do artista.
Em outro filme, Cacá Diegues disse Bye, Bye Brasil. Neste há um Brasil que persiste apesar dos
pesares, e se recusa a dizer “ Adeeeeeeeeeeus!”
Oxalá, resista!
Oxalá, resista!
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Tempos Turvos
o quanto pode ser descrita uma tristeza
mil olhos não bastam para tanto pranto
Será uma noite tão turva
totalmente insana sobre nossas cabeças
no torrão natal aquele lugar que a gente chama de meu país
nem é mais meu nem país
de tão descaracterizado
Serão tempos turvos de um pesadelo angustiante
onde temer é a tônica e viver um sonho distante
Ser em tempos turvos é a melhor resistência
e Estar de olhos abertos
diante do breu
antes do retorno do Sol
A água que tolda também se aclara
mais cedo ou mais tarde
os tempos turvos se dissipam
com o cansaço ao rude
troglodita travestido de high tec
em Vale do Silício que silencia
a Antiguidade
Link desfeito da Humanidade consigo mesma
que era através da História
Lá onde reside a alma que Mefistófeles cobra sem alarde
Tempos turvos tosam a Criatividade
Contudo
se Gilgámesh sobreviveu ao touro e a tantas guerras
e nos chegou aqui no século XXI
de um Iraque combalido mas
Vivo
De qualquer um ser capaz nem podemos duvidar
até mesmo com um simples sopro poder dissipar
a turvação do tempo
E nos atracar em terra firme
onde sobre a viva esperança
Os indígenas resilientes
há 518 anos
Dançam
Ainda...
( Cristina Paraguassu, em 25/10/2018)
terça-feira, 17 de julho de 2018
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Filmes da Índia
Mês passado no CCBB RJ
houve a mostra Novo Cinema indiano com curadoria de Shankar Mohan e
Carina Bini. Todas as sessões lotaram, sendo inexplicável não
serem lançados no circuito comercial. Não vi todos os filmes, mas
gostei de todos que vi. Seguem as impressões que me deixaram:
CINEMAWALA
Dir.: Kaushik
Ganguly/2015/105min
Uma homenagem aos
filmes em película, aos cinemas antigos e o conflito de
gerações. Sem ser maçante também mostra a questão ética
totalmente ligada à estética. Um elenco excelente! Deu saudade do
volume e textura das películas, ainda não há isso no digital.
ILHA DE MUNROE
(Mundro Thuruth)
Dir.: Manu/2015/92min
Primeiro filme desse
diretor, começou muito bem! Um drama com elenco fascinante em uma
ilha paradisíaca, a história simples de um pai que leva o filho
delinquente para passar uns dias com o avô ingênuo que pensa
em tratar o neto adolescente com a medicina tradicional da Índia.
O jovem rejeita os usos e costumes do avô, prefere refrigeramte e
Kit-kat. O conflito que no começo parece tragicômico descamba para
a tragédia. E não é isso que acontece quando a Cultura de um
povo é destruída?
GERAGALU
Dir.: Nikhil
Manjoo/2015/90min
Achei o mais fraco e
como a foto da divulgação mostrava o ator caracterizado para
Yakshagana, a expectativa era de ver mais dança e a
representação: as poucas cenas são lindas. Há erro de
continuidade em uma cena e uma cena engraçada com a foto do Papa
Francisco. O resto é a questão do ego enorme e o neto do ator
chega para salvá-lo da auto-destruição.
O OVO DO CORVO
(Kaaka Muttai)
Dir.: M.
Manikandan/2014/109
Filmes onde há
crianças costumam ser sempre bons, mas esse é muito mais que
isso. Os dois atores mirim trabalham melhor que muita gente
grande. A miséria de lá é nossa conhecida antiga por isso não
causa espanto. E toda a saga para provar pela primeira vez na
vida uma pizza seria surreal se não fosse tão comum. Um filme
inesquecível!
O FAZEDOR DE CAIXÃO
(The Coffin Maker)
Dir.: Veena
Bakshi/2013/123min
A diretora veio do
mundo da publicidade, logo o filme tem as marcas desse defeito.
Porém, além de filmado em uma aldeia de Goa, possui um humor e
mesmo a cena de um jogo de xadrez entre a morte e Anton, inspirado
em Bergman que se inspirou em uma pintura de uma igreja, consegue
fugir dos estereótipos: o jovem que faz a morte é um galã. E o
herói Anton é um homem desesperançado. E o tema dos desejos e
ausência deles está sempre atual.
PUNHALADA NO CORAÇÃO
(Katyar Kaljat Ghusali)
Dir.: Subodh
Bhave/2015/161min
O único filme de
Bolywood, longo e eletrizante do começo ao fim. A questão da
garganta de onde sai a voz estar localizada entre o coração e o
cérebro é mostrada com cantos de uma beleza exótica, com vozes
belíssimas e o drama exagerado que lembra as novelas mexicanas, às
vezes dando o efeito contrário , em vez de lágrimas, risos, de
tão exagerado. Mas em um país como o nosso onde o EGO de certos
cantores é maior que a voz e o talento, foi inevitável a
comparação. Filme aplaudido no final.
QUE ASSIM SEJA
(ASTU)
Dir.: Sumitra Bhave e
Sunil Sukhtankar/2014/135min
Esse filme deveria
passar em circuito urgente! É sobre o Alzheimer, as consequências
e os conflitos que causa, sem deixar de ir além: mostra que
memória e esquecimento são entremeados por mal entendidos e
reações que vão além de saúde e doença, tempo passado e
futuro, tocando em sentimentos como afeto e solidariedade que são
atemporais e imemoriais. A cena mais bonita e foi usada na
divulgação é do velho, a criança e a elefante deitada, todos
dormindo o sono tranquilo dos inocentes.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Micro-Ditos
Os Micro-ditos são frases, poemetos, aforismos, etc.
1-
longe depende do ponto de vista e perto também/ mas a
distância existe e o planeta é único e enorme/ e nós tão
desconformes
2-seguir
metas é quase impossível: a vida é tão cheia de atalhos
e sentidos/ e pessoas decisivas
3-o
Sol é espetacular/tanta luz e calor/ embora ninguém o adore
mais como a um deus/ ele continua a iluminar
4-correr
linhas sobre superfícies e dar vida aos mais simples traços/
eis o desenho de fato
5-Há
algo surreal ou hilário em ser brasileiro/ o resto é
inventado/ papo furado de forasteiro
Crítica de Cinema
Uma das críticas que mais gostei de escrever foi essa sobre o filme As 14 Estações de Maria, saiu no Blog Cinema na Veia.
14 Estações de Maria (Kreuzweg) Alemanha - Cor, 110min - 2014
A Bíblia, que levou milhares de anos sendo escrita e é considerada por bilhões de pessoas como palavra de Deus, já inspirou grandes obras de arte.
Este filme alemão do diretor Dietrich Brüggemann, mostra o martírio de uma adolescente cristã,Maria( Lea Van Acken, excelente atuação) seguidora de uma linha ultra-conservadora que não aprova o Concílio Vaticano II, ainda reza missa em latim, continua com as mesmas práticas medievais, e terminam alçando o demônio que juram combater a protagonista esquecendo do Amor que Cristo pregava.
A peversidade da mãe(Franziska Weisz) é tão bem exibida que há um gozo sádico nas expressões da ótima atriz. O pai é de uma passividade revoltante. Dos três irmãos menores, o mais novo de quatro anos se recusa a falar e essa "doença" será o catalisador que Maria encontra pra sua fuga rumo ao Paraíso.
A empregada Bernadette(Lucie Aron) estrangeira que fala mal o alemão, é admirada por Maria por ser madura, ou seja, normal!
E o doce amiguinho da escola,Christian(Moritz Knapp), -- que achei que poderia ter um nome mais "satânico", Lucious , ou contestador Jörg Mario por exemplo, já que ele canta Gospel e Soul, além do divino Bach, no Coral -- é uma tentação de carne e osso e vida prosaica, bom demais pra permitido na lógica insana deles.
A cena dos colegas de escola põe a questão da tolerância en passant. O que é tolerância? Qual o limite da liberdade e autoridade se houver risco à vida?
Completamente enredada na lavagem cerebral dos fanáticos, Maria segue as 14 Estações de Cristo que são intertítulos do filme, na mesma via crucis sadomasoquista, mas em pleno século XXI.
É um filme para estômagos fortes, com câmera parada que lembra Kenji Mizogushi (também no sofrimento); talvez fosse melhor classificado commo filme de terror! O esvaimento do corpo anoréxico de Maria é um pálido reflexo do que aconteceu com a mente dela.
Alguém desavisado poderia considerar uma ficção absurda, inexistente. Mas , por incrível coincidência, há poucos dias houve em Nova Friburgo o encontro de um grupo Católico ultra conservador que se rebela contra o Papa Francisco, nega o holocausto, e educam crianças da mesma forma vista no filme.
Talvez a passagem do politeísmo onde os deuses tinham qualidades humanas para o monoteísmo tenha afastado demais certas pessoas peversas das maravilhosas qualidades terrenas, entre as quais, tomar sorvete. cantar em coral e fazer bons filmes como este!
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Aquarela, da série Pessoas Humanas.
Questões da Humanidade: 1- Quando as fronteiras caírem e
as crianças não estiverem mais sob o jugo de pais ou quaisquer
adultos autoritários, o mundo melhorará.
Tanto já melhorou mas
Fronteiras e Pátrio Poder sobre as crianças continuam... Que
fazer?
terça-feira, 19 de julho de 2016
domingo, 24 de janeiro de 2016
Este poema dá nome ao meu novo livro :
MIRAGEM
DE ESTIMAÇÃO
Para Helena Martinho da Rocha
que
o vento me traga boas notícias
como
nas poesias antigas
em
que se exaltavam as musas
e
toda vida parecia ser singela
o
mundo eterno e a água potável
lembramos
de cada tormento
e
esquecemos alegrias inenarráveis
o
dia-a-dia precioso e cheio de infinitos tesouros
cada
olhar é uma novidade
embora
possa ser o mesmo em aparência
espantosa
diferença
se
houvesse a serenidade
e
a delicadeza voltasse
o
Planeta estaria salvo!
com
tudo que haja
estando
ou não em fórma
que
o corpo até mesmo pereça
alquebrado
a
data de validade é incógnita
em
cada vida
esses
deleites
filigranas
da alma
sedosos
pensamentos
em
plena bruma
são
o elo do ser com tudo
e
talvez uma miragem de estimação...
Fazer
o quê?
é
com o que se pode
que
castelos são feitos
e
se a matéria-prima
é
o vento
a
alegria será edificada
e
quiçá
um
poema ou pedido:
― que
me traga boas notícias
mais
nada!
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Poema para o fim do Ano: Feliz 2016!
todos
os dias uma beleza se apresenta diante dos sentidos
-- disse
Borges em Os Conjurados --
um vento na pele
um azul no céu
o canto de um
pássaro
ou o insípido da água no paladar
sedento sermos do
belo é óbvio e normal
porém
aos embotados sentidos
o que
resta fazer
senão os artificialismos
inúteis desnecessários e
caros
com que acham que gozam
e nem se satisfazem
mas procuram
um estado entre o
Nirvana tão decantado
e o sonho mais belo
que nunca ousaram ter
nas utopias
sem a simplicidade de seus próprios
corpos
livres das amarras e soltos
no espaço infinito
tão
fácil e perto de ter
ao alcance de um mero toque
Poema de Márcia Cristina Paraguassu
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Sobre o filme " Guera nas Estrelas "
para Oscar Fuller
"Minha Pátria é minha língua" disse o poeta Fernando Pessoa que achava ser o 4º Império o Anglo-Saxão, do Reino Unido migrou para os EUA ( segundo JLGodard no filme Elogio do Amor é um país sem nome próprio já que "estados unidos" cada país tem os seus e América há a do Sul, Central e do Norte...). Não é segredo para ninguém que depois da guerra de independência de Cuba, final do séc. XIX , foram vários pensadores falando em "Destino Manifesto" e as demais ações todos sabem, chegando ao cúmulo de Costa Gavras contar que um figurão do cinema dos EUA disse pra ele:" Por que você europeus fazem cinema? Deixem que nós fazemos tão bem!" E Wim Wenders em um depoimento no Extra do DVD de Land of Plenty disse que "o Cinema dos EUA colonizou nosso subconsciente!" A maior prova dessa colonização é um grupo Carnavalesco de Ramos, Rio de Janeiro, Brasil, chamado Cacique de Ramos cuja fantasia é de índio da América do Norte, dos filmes de Western... a despeito de haver quase 200 povos indígenas no Brasil com plumárias, adereços e roupas lindíssimas! Mas não passaram no Cinema...
Star Wars é um sucesso de bilheteria incontestável e detestado por muitos que não se dão ao trabalho de averiguar porque faz tanto sucesso. A fórmula infalível dos blockbusters é Sangue e Lágrimas, ou seja , violência e melodrama com trilha sonora melosa e grandiloquente. E pitadas de humor também, mesmo que seja de mau gosto como um sapato voando com o respectivo pé decepado dentro!
E por que o sucesso permanece por 40 anos e continuará? Sem dúvida há algumas qualidades, a principal é um roteiro que respeita o que Vladimir Propp organizou em 31 funções e 7 personagens principais (até na Wikipedia há essas informações). Propp foi um estudioso dos Contos populares da Rússia, coletou e percebeu que todos seguiam a mesma estrutura com variações. Os maravilhosos irmãos Grimm coletaram muitos contos também; Câmara Cascudo aqui no Brasil idem; Bruno Bettelheim escreveu o ótimo "Psicanálise dos Contos de Fadas" e muitos outros.
E neste episódio "O Despertar da Força" há novidades: uma mulher jovem como heroína, um homem jovem e negro ( detalhe que se não fosse ainda haver racistas nem deveria ser mencionado) que era do lado das trevas(os malvados) e, de repente, sensibilizado, passa para o lado da luz(os bonzinhos). Há o casal de idosos, um filho desgarrado...Há propaganda subliminar, dirão alguns, entre as quais haver um único Senado na República congregando tantos Planetas( países), numa clara alusão a um Império. Mas na Saga a palavra "Império" designa o lado das trevas, a maldade em estado máximo e para tanto a direção de arte, figurinos capricham sempre com visual que lembra os capacetes dos nazistas(exemplo Real de maldade máxima). Os membros da resistência são descolados, usam as roupas que quiserem com especial foco em duas jaquetas de couro.
Se nos Contos Populares(Folclóricos, de Fadas, Tradicionais, etc. como queiram chamar) o
maniqueísmo funciona e é a regra, sabemos que na vida Real não é bem assim, com breves exceções : quando há regimes totalitários, que aliás exacerbam o maniqueísmo como forma de dominação , é dever rechaçá-los.
Contudo, o Modo de Vida Americano(American Way of Life), agora incorporado pelos chineses, já comprovou que levou o Planeta a esta situação insustentável de poluição, aquecimento e risco, sem contar ainda que morrem 5 crianças de fome por minuto em pleno século XXI. O Professor Milton Santos disse que "o Consumismo é um tipo de Fundamentalismo" e se os
fundamentalismos religiosos são condenáveis por que este também não seria?
Em Guerra nas Estrelas há uma frase que serve muito aos dias atuais em que as ficções nos
divertem, nos distraem da dura realidade em que o futuro das antigas ficções-científicas chegou , mas certa mentalidade da Idade Média retornou sem medo e sem vergonha, tomara inspire a todos que desejam um mundo melhor:
"Esteja a força com você"("May the force be with you!" ) !
Escrito por Márcia Cristina Paraguassu em 22/12/2015
para Oscar Fuller
"Minha Pátria é minha língua" disse o poeta Fernando Pessoa que achava ser o 4º Império o Anglo-Saxão, do Reino Unido migrou para os EUA ( segundo JLGodard no filme Elogio do Amor é um país sem nome próprio já que "estados unidos" cada país tem os seus e América há a do Sul, Central e do Norte...). Não é segredo para ninguém que depois da guerra de independência de Cuba, final do séc. XIX , foram vários pensadores falando em "Destino Manifesto" e as demais ações todos sabem, chegando ao cúmulo de Costa Gavras contar que um figurão do cinema dos EUA disse pra ele:" Por que você europeus fazem cinema? Deixem que nós fazemos tão bem!" E Wim Wenders em um depoimento no Extra do DVD de Land of Plenty disse que "o Cinema dos EUA colonizou nosso subconsciente!" A maior prova dessa colonização é um grupo Carnavalesco de Ramos, Rio de Janeiro, Brasil, chamado Cacique de Ramos cuja fantasia é de índio da América do Norte, dos filmes de Western... a despeito de haver quase 200 povos indígenas no Brasil com plumárias, adereços e roupas lindíssimas! Mas não passaram no Cinema...
Star Wars é um sucesso de bilheteria incontestável e detestado por muitos que não se dão ao trabalho de averiguar porque faz tanto sucesso. A fórmula infalível dos blockbusters é Sangue e Lágrimas, ou seja , violência e melodrama com trilha sonora melosa e grandiloquente. E pitadas de humor também, mesmo que seja de mau gosto como um sapato voando com o respectivo pé decepado dentro!
E por que o sucesso permanece por 40 anos e continuará? Sem dúvida há algumas qualidades, a principal é um roteiro que respeita o que Vladimir Propp organizou em 31 funções e 7 personagens principais (até na Wikipedia há essas informações). Propp foi um estudioso dos Contos populares da Rússia, coletou e percebeu que todos seguiam a mesma estrutura com variações. Os maravilhosos irmãos Grimm coletaram muitos contos também; Câmara Cascudo aqui no Brasil idem; Bruno Bettelheim escreveu o ótimo "Psicanálise dos Contos de Fadas" e muitos outros.
E neste episódio "O Despertar da Força" há novidades: uma mulher jovem como heroína, um homem jovem e negro ( detalhe que se não fosse ainda haver racistas nem deveria ser mencionado) que era do lado das trevas(os malvados) e, de repente, sensibilizado, passa para o lado da luz(os bonzinhos). Há o casal de idosos, um filho desgarrado...Há propaganda subliminar, dirão alguns, entre as quais haver um único Senado na República congregando tantos Planetas( países), numa clara alusão a um Império. Mas na Saga a palavra "Império" designa o lado das trevas, a maldade em estado máximo e para tanto a direção de arte, figurinos capricham sempre com visual que lembra os capacetes dos nazistas(exemplo Real de maldade máxima). Os membros da resistência são descolados, usam as roupas que quiserem com especial foco em duas jaquetas de couro.
Se nos Contos Populares(Folclóricos, de Fadas, Tradicionais, etc. como queiram chamar) o
maniqueísmo funciona e é a regra, sabemos que na vida Real não é bem assim, com breves exceções : quando há regimes totalitários, que aliás exacerbam o maniqueísmo como forma de dominação , é dever rechaçá-los.
Contudo, o Modo de Vida Americano(American Way of Life), agora incorporado pelos chineses, já comprovou que levou o Planeta a esta situação insustentável de poluição, aquecimento e risco, sem contar ainda que morrem 5 crianças de fome por minuto em pleno século XXI. O Professor Milton Santos disse que "o Consumismo é um tipo de Fundamentalismo" e se os
fundamentalismos religiosos são condenáveis por que este também não seria?
Em Guerra nas Estrelas há uma frase que serve muito aos dias atuais em que as ficções nos
divertem, nos distraem da dura realidade em que o futuro das antigas ficções-científicas chegou , mas certa mentalidade da Idade Média retornou sem medo e sem vergonha, tomara inspire a todos que desejam um mundo melhor:
"Esteja a força com você"("May the force be with you!" ) !
Escrito por Márcia Cristina Paraguassu em 22/12/2015
domingo, 13 de setembro de 2015
domingo, 1 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Do livro Silêncio Inaudito
repousam
em
minha mente
imagens
vindas de longe
Oriente
onde nascem e morrem aqui
na
palma da mão Ocidente
estranho
percurso
fuga
insana pelos portões
de
brilho e luz embebidos:
meus
olhos são
ainda
a saída
e
afinal
despertas
então no papel
pousam
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
PALIMPSESTO
Palimpsesto
o
mesmo texto
ou
outro texto
sobre
o anterior
a raspagem para
dar lugar
ao outro
o novo
enquanto
o velho vira pó
o
mesmo texto
e
o outro texto
ambos
no mesmo espaço
em
tempos distintos
o
mesmo texto
sobre
o mesmo espaço
margens e
e s p a ç o s
entre
as letras
variados
ambos
sobre a
mesma
superfície
tão
cara
apreciada
e valorizada
dois
apenas não
tantos
mais até aguentar
tanto
aguenta o espaço?
sabe-se
lá!
e
os outros quanto serão
valorizados
ou desvalorizados
ninguém
sabe
sabe-se
do pó: este voa
pó de papiro
ou pergaminho
será
o que entra pelas janelas ainda hoje
ou
está soterrado?
pergaminho
e papiro - tão valiosos e raros - preservados
mas
caíram em desuso
o
texto?
ainda
persiste
igual
às margens e espaços geográficos
persistência
ímpar
por
quê? pra quê?
por
cargas d'água
que
seja per se
e
sendo apenas
valer
tanto quanto
a raspagem e o
escrever
o
dar valor ou esquecer
o
ser e não ser
e
tantos sentidos feitos somente caso se escreva
e
se fale
e
se pense
e
se invente
por
Ser uma invenção contínua igual a vida
de quem vive
tal
o palimpsesto
raspado
e reescrito
com
resquícios da anterior escrita
a
nova sobre a antiga
nem
que seja pra dizer
a
mesma coisa
mas
que se reflita
se
for a mesma
reescrita
já
será outra e pronto
servindo
assim o espaço pra abrir
ao
ser raspado
um
novo espaço
e
o pó levado aos quatro ventos
e
talvez aspirado por alérgicos - coitados - espirrarão
e
gotículas de textos em pó voarão
ou
a tosse incômoda dos bronquíticos
em
perdigotos incontáveis
espalhando
os textos
invenção
distante
longínqua
deste mundo tão
ou
quase
inteiramente
descartável
o
Palimpsesto foi o primeiro artigo descartável!
e
caro
e
admirado
e
a escrita percorre sobre
tão
sedutora
e
espantosamente duradoura superfície
até
hoje nos chega
somente
demudada daquela bela e valorizada
arte e
ciência esotérica
domínio
de tão poucos
banalizada
agora sem quase necessidade
de
borrachas ou teclas delete
ainda
que se escreva e que se apague
ainda
que se invente e se raspe
aonde
está o valor? a que se dá?
dá-se
o valor ao palimpsesto e às escritas e às vidas e invenções
e atos e gestos e sentimentos e delicadas rendas e artes e
pescas e caças e
semeaduras
escorrem por terras longínquas
igualmente
ninguém deseja morrer embora se morra queira ou não queira
valorizar
e ser
a
cafeteira elétrica ou vídeo game moderno tendo mais
cartaz que o Texto
que
esta caligrafia horrenda minha ou de vocês - de mim sei
eu
sempre preguiçosa de preencher cadernos de caligrafia -
primário
distante
memórias
Tudo
ao soar do relógio de corda ou bateria ou ao por e nascer
do sol
Tudo
vai sem volta
o pó
voando
e
o texto sendo feito
o
palimpsesto em desuso
e
modernos computadores sendo despejados no mercado aos sôfregos
consumidores
sonhos
de consumo
e
textos escritos e reescritos sem deixar resquícios
as
sombras
os
mal raspados
as
marcas de traços
indicações
de frases ou palavras ou letras
a
invenção da palavra
texto
livro
a
invenção de que se é no mundo e o mundo é um Lar - doce
Lar -
ou ninho ou
Planeta vagando num Universo infinito
a
constatação dolorosa do minguado tamanho
a
enorme fragilidade
das
limitações - sobretudo do Tempo - nosso
a
sabedoria - sapiência -
saber
que se sabe tanto e se morre mesmo sabendo
ou
sem saber - é igual -
ser
palimpsesto na vida
ser
raspado e dar lugar
ao novo texto
virar
poeira o antigo corpo
ser reescrito
a cada ciclo
ainda
os restículos
há
que se ter coragem de se raspar
e
de se reescrever
e
de se ler o novo
e
admirar o espaço geográfico
vasto
e sem limites - exceto o espaço físico - corpo minguado
porém
ser palimpsesto na alma - ela exista ou não -
onde
não há fronteira nem limitação alguma
reescrevendo
e reescrevendo e reescrevendo
tudo
até
as próprias ilusões
e
ao se voltar à vida comum e banal
ver
como sendo Palimpsesto se é humana total
e
quanto o valor do espaço da tinta da raspagem do texto da
caneta do lápis ou o que seja
e
do leitor - sobretudo -
é
real
constatar:
palimpsesto que seja que sejamos!
escrevermos
uma história nova ao nosso velho mundo
e
sermos mais doces com a palavra dita tanto quanto com a
escrita
e
deixarmos a vida sem o peso de tê-la vivido mal vivida
e
de que o mundo esteja melhor daqui pra lá
palimpsestos
reescritos tantas vezes até virarem pó
e
à última raspagem seja do último texto
sem
salvar em discos rígidos
nem em
cópias leves
Salvos
por ventos longínquos que os levarão
e
neste texto derradeiro estando a verdadeira
definitiva
intenção do recomeço
embora
na vida não dê tempo pra tantos
estando
ele ainda vivo transmudado em pozinho
vivo
na existência
na
insistência
na
resistência
na
imanência
na
consciência de saber da finitude da vida e de tudo que não
seja inteiro verdadeiro
absolutos
prazeres permeiam a jornada
entre
os quais raspar o texto anterior
escrever
outro e ler aproveitando o suporte e dando cores lindas à
palavra escrita
e
sentido ao pensamento tido
Palimpsesto
é isto:
as
ideias fixas e a memória esquecida no mesmo papiro pergaminho
papel bytes
enfim
um corpo
escrito
Leitores
existirão?
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